A música que se pensa está bem viva: sons de ontem e de hoje em audição activa

Um Adeus aos Deuses (2020), de Miguel Resende Bastos, deixou-nos duas certezas: a da competência técnica do compositor, cuja escrita é segura e pertinente, e a do carácter algo informe da obra, que consiste num comentário sonoro a um texto, confiado a uma recitante, retirado do livro do mesmo título publicado por Ruben A. em 1963, que glosa uma viagem à Grécia.

Entendimentos camerísticos de ontem e de hoje

(…) a composição de Miguel Bastos (n. 1995), À Toa, foi construída a partir do poema homónimo retirado da obra Só, de António Nobre. Apesar de estar organizado em 14 breves quadros, o discurso musical é predominantemente contínuo e explora inter-relações temáticas que lhe conferem equilíbrio entre unidade e contraste. A obra apresenta ainda um amplo conjunto de técnicas vocais e instrumentais, bem articuladas numa orquestração sólida e com soluções variadas. Foram certamente estas as características que levaram à atribuição do primeiro prémio.